sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dicas para higienizar corretamente os alimentos

Não basta selecionar com cuidado os alimentos que vão para a sua geladeira. Para fugir de infecções e contaminações é preciso aprender a higienizá-los da maneira correta.

Higienizar é preciso

E não vai ser difícil convencê-la. "Os vegetais podem ter contaminação química (agrotóxicos), biológica (microbiana, detritos orgânicos) e sujeira diversa (poeira, partículas estranhas)", diz João Carlos Tórtora, coordenador de microbiologia da Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro. E isso é possível que aconteça em todas as fases do ciclo produtivo: no local de plantio (poeira, insetos, pássaros, larvas), pelo uso de fertilizantes, na colheita, no transporte, na estocagem e até no ponto de venda.

Preserve o corpinho
As consequências são uma extensa lista de problemas de saúde. As sujeiras, você já sabe, geram desconfortos gastrointestinais, como vômitos, sem contar obstruções e engasgos. A contaminação química leva a alergias, alterações em fetos, intoxicações e doenças hepáticas, renais e neurológicas, além de estar associada a diversos tipos de câncer. "Já os alimentos com contaminação biológica (micróbios e fezes, por exemplo) causam infecções extraintestinais, como hepatite A, e infecções e infestações intestinais provocadas por bactérias, vírus, protozoários e vermes, com gravidade variável, causando debilidade física por desnutrição e desidratação", diz Tórtora.
O que lavar
Todos os vegetais que são consumidos crus, como frutas, verduras, legumes e raízes, devem ser higienizados antes do consumo. Os orgânicos não escapam porque têm adubos orgânicos. Mas são só esses. Deixe a paranoia de lado, ou o tiro pode sair pela culatra. Um exemplo: você também come carne crua, certo? Carpaccio, quibe, sushi e sashimi... "Esses alimentos não devem ser lavados", avisa o biomédico Roberto Figueiredo, conhecido na TV como Dr. Bactéria. "Além de não eliminar os micro-organismos nocivos, isso aumenta a quantidade de água na carne, fazendo dela um ambiente propício para as bactérias. Portanto, devem ser guardados do jeito que chegarem do supermercado."
Truques caseiros, não
Já ouviu dizer que o vinagre é tiro e queda para lavar verduras? Ou que o bicarbonato de sódio não deixa sobrar nenhum verme, protozário, bactéria ou outro micro-organismo? Esqueça. "Não é recomendável", garante Figueiredo. No vinagre, a concentração de ácido acético, que seria importante na higienização, pode variar, portanto não dá para confiar. E, embora o bicarbonato possa ajudar na eliminação de químicos, não é 100% eficaz.
A higienização correta
Os vegetais têm uma característica conhecida como uptake. "Se você coloca em água na mesma temperatura deles, eles absorvem a contaminação do ambiente", explica Figueiredo. "Chegou da feira, tire da embalagem, coloque em sacos limpos e abertos para permitir sua respiração e deixe por pelo menos 2 horas na parte menos fria da geladeira, que normalmente é a gaveta." Aí, sim, começa o exercício de paciência. Lave folha por folha e fruta por fruta, sempre em água corrente (nas bacias, você apenas espalha a sujeira). Depois, mergulhe por 5 a 20 minutos em uma solução de 1 litro de água com 1 colher de sopa de hipoclorito de sódio (água sanitária de boa procedência) - cloro é a única substância recomendada pelo Ministério da Saúde. Retire, enxágue e pronto.
Outras opções
Como a concentração de cloro livre varia na água sanitária (por isso dissemos "boa procedência"), produtos especialmente para esse fim e aprovados pela Anvisa também são úteis - cheque as embalagens com atenção. Um deles é o Clorin, à base de dicloroisocianurato de sódio, um derivado de cloro de origem orgânica, certificado pelo Instituto Biodinâmico e que não exige enxágue posterior. "Água ozonizada também pode ajudar, mas você tem que ficar de 10 a 15 minutos com uma mangueirinha passando do lado de cada folha de alface", diz Figueiredo. Outra opção é o Hidrosteril, que tem na composição hipoclorito de sódio, cloreto de sódio e água deionizada.

Anvisa aponta quais alimentos carregam agrotóxicos abusivos

O programa de análise de resíduos de agrotóxicos de alimentos da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mostrou que, entre os 18 alimentos avaliados em 2010, o pimentão é campeão de irregularidades. Das 146 amostras, 134 (91,8%) apresentaram agrotóxicos acima do limite lícito e substâncias não autorizadas para a cultura.

No ranking dos vilões ainda aparecem o morango (63.4%), o pepino (57,4%), a alface (54,2%) e a cenoura (49,6%). "O dado preocupa. afinal, em longo prazo essa exposição eleva o risco de câncer, danos neurológicos, distúrbios hormonais, entre outros problemas", aponta Luiz Cláudio Meirelles, gerente-geral de toxicologia da Anvisa.

Livre-se dos inimigos
Ao manipular vegetais folhosos, exclua as folhas externas, mais expostas ao agrotóxico. Lave muito bem os alimentos e, depois, deixe-os de molho em água pura por 40 minutos. O ideal seria consumir frutas e legumes sem a casca - mas, como são bastante nutritivas, o jeito é caprichar na higienização.

Os orgânicos são a solução?
Segundo Luiz Cláudio, eles são mais seguros em relação à presença de agrotóxicos. Só que isso não significa que estão imunes à contaminação por bactérias, por exemplo. Então, nada de consumir antes de lavá-los.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

É melhor comprar produtos orgânicos?

Todo ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publica um relatório sobre o grau de contaminação dos alimentos por agrotóxicos. A última análise da agência divulgada em dezembro passado, achou resíduos de agrotóxicos em níveis acima do permitido em 17 das 18 culturas avaliadas.

Mais: havia substâncias não autorizadas pelo governo federal e proibidas em vários países porcausarem câncer, problemas neurológicos e hormonais. Por tanto, se há a possibilidade de consumir produtos orgânicos, esta pode ser uma ótima saída para cuidar melhor da alimentação.

Como escolher o orgânico
Prefira sempre vegetais da estação, mais resistentes a pragas e, portanto, menos expostos a agrotóxicos. No verão, por exemplo, consuma berinjela, pepino, abobrinha, batata-doce e mandioca. No inverno, compre alface, rúcula, agrião, beterraba, cenoura, tomate e maçã.

Como limpar
Deixe as frutas, legumes ou verduras de molho em um litro de água com uma colher de sopa de água oxigenada 10 volumes, por 30 minutos. "A água oxigenada esteriliza os vegetais sem fazer mal à saúde, ao contrário do cloro", ensina a agrônoma Ondalva Serrano.

Beleza e sabor acentuados
Você já ouviu dizer que alimento orgânico tem um aspecto mais feio, mas isso não é necessariamente verdade. Por não absorver água em excesso e pelo respeito ao ciclo de crescimento de cada cultura, vegetais orgânicos têm beleza e gosto acentuados. "A alface, por exemplo, além de ser muito mais saborosa, tem folhas grossas, encorpadas. Quando encontramos orgânicos pequenos e feios é sinal de que o produtor errou na adubação e a planta recebeu menos ou mais nutrientes que o ideal", alerta o agrônomo Daniel Souza.

Por que é mais caro?
Comprar orgânico faz diferença no bolso, sim. "O governo não oferece crédito ao produtor orgânico, o que o obriga a arcar sozinho com os custos de recuperação do solo e da água, processo que pode levar até dois anos. Isso encarece o produto", afirma Odalva Serrano.