domingo, 15 de setembro de 2013

Colesterol: o perigo está no excesso

Essa gordura nem sempre é sinônimo de encrenca ao coração. Mas quando suas taxas ficam acima do recomendado…O colesterol não merece toda a má fama que carrega. Aliás, se você tem algum tipo de ideia preconceituosa, fique sabendo que essa molécula é fundamental para o organismo. Tente imaginar que todas as nossas células precisam dele para compor suas membranas, permitindo, assim, a entrada e a saída de substâncias vitais, como os nutrientes. “Também é importantíssimo para a produção de hormônios, caso do estrogênio e da progesterona”, conta o cardiologista Francisco Antonio Helfenstein Fonseca, diretor da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, a Socesp.
A bem da verdade, nosso próprio corpo se encarrega de produzir colesterol lá no fígado. Mas, para que ela circule pelos vasos sanguíneos, precisa pegar carona em algumas partículas transportadoras que você já deve ter visto nos pedidos de exame: LDL e HDL. A primeira foi batizada como lipoproteína de baixa densidade, mas ganhou o apelido de mau colesterol. Isso porque quando não dá conta de carregar todo o montante gorduroso costuma derrubar parte pelo caminho. E esse descuido, por assim dizer, vai contribuindo para a formação das placas que entopem os vasos.
Já a HDL ou lipoproteína de alta densidade, a queridinha, é quase uma faxineira: carrega o que ficou pra trás, deixando as artérias limpas e evitando acúmulos danosos pelo trajeto. Pelo papel de cada uma dessas partículas dá para perceber o porquê da recomendação de deixar as taxas de LDL baixas e as de HDL altas, não é mesmo?
Uma dica que favorece esse equilíbrio é manter-se longe do sedentarismo e adotar uma dieta rica em hortaliças, frutas e grãos integrais, com o devido espaço para gorduras benéficas vindas de alimentos como os peixes e o azeite. Por outro lado, abusar de carne e de queijos gordurosos serve de gatilho para a disparada do LDL. Embora a menor parte do colesterol circulante venha da dieta, esses ajustes na alimentação ajudam bastante a manter as taxas na medida.

sábado, 14 de setembro de 2013

Colágeno para as articulações

Estampado nos rótulos de xampus, hidratantes e produtos alimentícios, ele figura no imaginário popular como sinônimo de uma pele firme e de cabelos resistentes, devido às suas propriedades de sustentação e elasticidade. Menos popular e mais vital, porém, é a sua capacidade de fortalecer as cartilagens. "Essas estruturas é que atenuam o atrito entre os ossos, evitando aosteoartrite, ou seja, a inflamação das articulações, que ficam desgastadas especialmente nos quadris, nas mãos, nos ombros e nos joelhos", esclarece a nutricionista Nadia Brito, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. "O quadro se acentua com o o envelhecimento e com o sobrepeso", alerta. 

A comida, diga-se, não entrega o colágeno de mão beijada. Mas as refeições abrigam a matéria-prima para sua fabricação dentro das células cartilaginosas. "Batizadas de condroblastos, essas unidades se valem dos aminoácidos glicina, prolina e hidroxiprolina, partículas proteicas provenientes dos alimentos de origem animal - como carnes vermelhas e ovos -, prontas para formar moléculas maiores, os peptídeos", descreve, em detalhes, a nutricionista Andrea Frias, coordenadora do Centro de Pesquisas Sanavita, em São Paulo. "São esses peptídeos que dão origem às fibras colágenas, capazes de amortecer o impacto articular com força comparável à de um fio de aço." 

Acontece que, a partir dos 30 anos de idade, essa fábrica celular de colágeno "desacelera cerca de 1% ao ano", como avisa Nadia. E a situação se agrava para o time feminino após a menopausa. "Os ovários deixam de liberar o hormônio estrogênio, que estimulava a síntese de colágeno a pleno vapor", justifica Andrea. "Por isso, sua produção despenca, em média, 30% nos primeiros cinco anos dessa fase e, depois dela, uns 2% anualmente." A boa notícia é que é possível evitar esse prejuízo com um cardápio que compensa a lentidão do organismo para gerar quantidades adequadas de colágeno. 

Embora seja difícil mensurar em cada proteína a quantidade exata da tríade de aminoácidos formadores de colágeno, os especialistas garantem que incluir os alimentos certos nas refeições garante o aporte dos 10 gramas diários de que o organismo necessita. O pré-requisito inegociável você já conhece: a fonte proteica precisa ser de origem animal. "Carnes vermelhas, frango, peito de peru, peixes, ovos, queijo, leite e iogurte desnatado são as melhores apostas", lista a nutricionista Alexandra Savino, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. Pelo menos um desses itens deve constar nas principais refeições do dia. "Um copo de leite e dois bifes grandes já são capazes de contemplar a cota diária", garante Nadia. 

Para assegurar que os aminoácidos ingeridos serão, de fato, convertidos em reforço para a cartilagem, você pode dar uma ajuda extra ao corpo, consumindo fontes de nutrientes que colaboram com sua absorção ou participam das reações químicas que os transformam em peptídeos e, finalmente, em colágeno. "É o caso das vitaminas A, C e E, presentes na cenoura, no pepino, na laranja, no limão e na goiaba; do zinco, encontrado nos frutos do mar e na castanha-do-pará; do selênio das nozes e do arroz preto; do silício da aveia, da cevada e da alcachofra; e do cobre ofertado pelo fígado de boi e pelos cogumelos", ensina Alexandra. As possibilidades são inúmeras e não custa nada investir em um copo de limonada no almoço ou acrescentar um punhado de castanhas no lanche da tarde. 

Os supermercados ainda exibem produtos que prometem o chamado colágeno hidrolisado em sua formulação. "Eles contêm os aminoácidos submetidos a um processo enzimático químico que facilita sua incorporação pelo organismo", explica Nadia. Vale dar crédito a eles, desde que 

com o cuidado de escolher uma marca idônea e devidamente certificada. 

O destino do nutriente O colágeno também constitui o tendão de aquiles, a ponta do nariz, os ossos e a conexão entre as costelas torácicas anteriores. "Os discos intervertebrais e uma das camadas das artérias são, ainda, formados por um tipo especial dessa proteína, chamado elastina", explica o cientista de alimentos Jaime Farfan, da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. Por fim, o humor vítreo - substância ocular que preenche a área entre o cristalino e a retina - e músculos que revestem órgãos como o intestino também contam com o colágeno em sua composição. 

Reforço bem-vindo O laboratório Sanofi-Aventis acaba de lançar o Mobility, um suplemento de colágeno hidrolisado em forma de sachê, sem sabor nem cheiro, que pode ser dissolvido em bebidas e alimentos. "A suplementação é recomendada a pessoas com uma dieta carente em proteína animal e contraindicada a indivíduos com insuficiência renal", esclarece Nadia Brito. 

Casais perfeitos (ver slideshow)

Combinações à mesa que ajudam na produção proteica 

1. Peixe e rúcula O ferro dos vegetais verde-escuros contribui com o processo de formação de colágeno. Aposte em pescados com rúcula e agrião. 

2. Bife e suco A bebida feita com laranja e acerola fornece vitamina C, que também dá uma força nesse processo. Ele pode acompanhar o bife do almoço. 

3. Frango e tomate Para que o consumo do frango resulte em uma fabricação de colágeno eficiente, consuma-o com tomate-cereja, que provê o auxílio das vitaminas A e C. 

4. Gelatina e companhia Contrariando a crença popular, a sobremesa está longe de ser a melhor coadjuvante na fabricação de colágeno. "A maioria das gelatinas contém uma quantidade insignificante de proteína", desmitifica Andrea Frias. "A exceção são os produtos com colágeno hidrolisado", ressalta Jaime Farfan. O mesmo vale para geleias de mocotó e balas de colágeno. 



Em busca de mais praticidade

Na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos, pesquisadores analisaram uma série de artigos para revelar quais medidas de fato promoviam perda de peso. Entre elas, destacaram-se os regimes que indicam refeições prontas ou semiprontas. “As principais vantagens são a praticidade, a limitação das porções e o controle dos nutrientes”, diz Isabela Bussade, endocrinologista e consultora científica da PronoKal, empresa criadora de um método com base em pós cheios de proteína que, misturados com água, viram omeletes, crepes, brownies... “Mas opções assim são custosas e menos saborosas”, contrapõe. Daí por que usá-las apenas no início da reeducação alimentar.