terça-feira, 22 de outubro de 2013

O que é que a mandioca tem: as vantagens do consumo da raiz

MandiocaNa mesa do jamaicano Usain Bolt, o homem mais veloz do mundo, não falta mandioca. Ela é a principal fonte de energia atleta, segundo revelou seu pai durante as Olimpíadas de Pequim em 2008. E faz sentido: essa raiz tem dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose, que, juntos, liberam a glicose mais lentamente para o corpo. Isso facilita a digestão, evita picos de açúcar no sangue e dá gás de sobra para o dia a dia.

Mas não é preciso ser medalhista para tirar proveito do alimento que já foi batizado de a "rainha do Brasil". Tanto é que a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) vem endossando sua produção e seu consumo mundo afora. A entidade quer acabar com o status de "comida de pobre" e utilizá-la inclusive para combater a fome.

Fonte de fibras e isenta de glúten - qualidade que a faz não pesar tanto na digestão -, a raiz carrega versatilidade no nome, nas condições de plantio e nas formas de preparo. Dependendo da região, é chamada de aipim, macaxeira, maniva, uaipi ou xagala. Não há tempo ou terra ruim pra ela. "A mandioca é um camelo vegetal", brinca o engenheiro agrônomo Joselito Motta, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa, fazendo referência ao fato de que a planta cresce em solos pobres e resiste a períodos de seca. Ah, ela ainda é barata: custa em média 2 reais o quilo, 30% a menos que a batata.

Mandioca X batata

Por falar na sua rival, a mandioca leva certas vantagens. "Ela possui maior quantidade de vitaminas A, B1, B2 e C", diz a nutricionista Maria Carolina von Atzingen, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Fazendo justiça, porém, precisamos avisar que a abundância em energia traz um efeito colateral: 100 gramas de mandioca têm quase três vezes mais calorias que a mesma porção de batata - são 160 calorias contra 58.

Só que isso não deve assustar quem se preocupa com o peso. "A composição de carboidratos da raiz faz com que ela prolongue a saciedade", conta Rafaella Allevato, coordenadora do Serviço de Nutrição do Hospital San Paolo, na capital paulista. Não por menos, a mandioca costuma ter passe livre em dietas e é indicada a diabéticos. "Ao contrário de outras fontes de carboidrato, ela não gera picos de glicemia", diz Rafaella. Agora, note bem: justamente por ser um reduto desse nutriente, é prudente que ela não seja misturada nas refeições com outros depósitos de carboidrato, como arroz, macarrão...

Alegria dos celíacos

Por ser livre de glúten, a mandioca é queridinha de outra parcela da população, os portadores de doença celíaca - estima-se que sejam 2 milhões só no Brasil. Graças a seus derivados como a farinha e o polvilho, os celíacos conseguem ampliar o limitado cardápio de quem não pode ingerir a proteína que dá as caras no trigo, por exemplo. Segundo Ana Vládia Bandeira Moreira, professora de nutrição da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais, o tubérculo ainda ajudaria a conter episódios de diarreia nessa turma. Aliás, a raiz é uma boa pedida diante de diversos problemas que atrapalham o ganho de nutrientes. Tudo por causa daquele lento processo de absorção dos carboidratos, que dá ao organismo mais tempo para assimilar outros compostos. Na hora de cozinhar a mandioca, uma dica: adicione um fio de óleo na água. "Isso auxilia na retenção das vitaminas", garante Ana Vládia.

Apesar de estar presente há cerca de 7 mil anos na Amazônia, a mandioca só ficou mais nutritiva nas últimas décadas. A variedade que hoje está presente na mesa do brasileiro, branca na feira e amarelada após o cozimento, tem dez vezes mais vitamina A que a cultivada no tempo do descobrimento. Ela é resultado de um processo gradual de melhoramento genético, realizado pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pela Embrapa, que cruzaram diferentes espécies até chegar a um tipo saudável e resistente a pragas. Agora, o IAC vai lançar uma nova variedade ainda mais vitaminada e rica em antioxidantes, substâncias que combatem o envelhecimento celular e reduzem o risco de doenças ligadas à idade, como o câncer. Segundo a pesquisadora do IAC Teresa Valle, a nova espécie terá 900 unidades internacionais (UI) de vitamina A, contra 220 UI da consumida atualmente, e deve chegar ao mercado em 2014. Pelo visto, se depender da mandioca, Usain Bolt vai quebrar recordes até ficar com os cabelos bem brancos.

Raiz histórica

O Brasil é a terra natal da mandioca. Do centro do país, o tubérculo se espalhou por mais de 100 nações desde a chegada dos portugueses. Sua importância era tanta nos tempos de colônia que o padre José de Anchieta a batizou como o "pão da terra". Citada na carta de Pero Vaz de Caminha, ela acabou adotada pelos lusitanos. "Não fosse sua presença, a ocupação das terras brasileiras teria sido mais difícil", diz Joselito Motta. Não à toa, o historiador Luís da Câmara Cascudo chamou a planta de a "rainha do Brasil."

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

5 mitos que atrapalham a sua felicidade

Quase todo mundo cai na armadilha de que será "feliz para sempre" quando alcançar certos marcos na vida, como casar, ter filhos e conseguir um emprego incrível. Essas realizações, de fato, funcionam como excelentes estimulantes, e é até compreensível que a gente deposite nelas altas (e falsas) expectativas. Mas a psicóloga russa radicada nos Estados Unidos Sonja Lyubomirsky, professora da Universidade da Califórnia, afirma que a felicidade é um sentimento mais complexo e exige empenho para se manter. Para ela, acreditar em certas verdades amplamente difundidas atrapalha nosso caminho em direção à satisfação plena.

Sua teoria está no livro Os Mitos da Felicidade (Odisseia), que será lançado no Brasil em agosto. Nele, a psicóloga destaca o que chama de fases de transição da vida, tais como época de solteira, casamento, filhos e construção da carreira. Esses momentos são, segundo ela, propícios a trazer alegrias, mas nos guiamos tanto pelo que prega a sociedade que muitas vezes fechamos as portas para sentimentos bons. Por exemplo: casamos com a ideia fixa de que teremos uma relação eternamente feliz e, já na primeira briga, a frustração é grande. Com o sentimento de que o mundo caiu, passamos até a duvidar da união. Estudiosa do tema desde 1994, Sonja ensina aqui a não pôr em risco sua felicidade em cinco situações.

1. Se achar meu príncipe encantado, serei feliz para sempre

Algumas mulheres nutrem desde cedo o sonho de casar e ter o destino dos contos de fadas. Elas acham que só assim alcançarão a plenitude. Apesar de ser um erro apostar todas as fichas em uma só fonte, é claro que subir ao altar com o amado dá uma injeção instantânea de felicidade. "Mas estudos mostram que, após dois anos, a empolgação passa e os níveis retornam aos de antes do casamento", diz Sonja. Ainda que existisse, nenhum príncipe encantado mudaria isso. A paixão intensa, essa que nos faz pensar no outro 24 horas, acaba e vira companheirismo. Apesar de ser normal, o fato nos deixa tristes e cheias de dúvidas. Comece livrando-se dessa fantasia. Também faça pequenos esforços diários para relembrar o valor do parceiro: deixe bilhetes românticos, programe noites especiais que fujam da rotina... Inove!

2. Casamento é para a vida toda e separar é o fim do caminho

Obviamente, ninguém se casa pensando em se separar. Mas às vezes a relação se desgasta a ponto de um rompimento tornar-se inevitável. Sonja diz que, aí, é comum acreditar que não haverá mais uma única alegria no caminho. "Trata-se de um processo doloroso, é verdade, mas todos têm a capacidade de se recuperar e construir outra rotina", observa. "No calor da dor, nos esquecemos de que a vida sempre traz coisas novas." Não estamos, necessariamente, falando de outra paixão. Essa não é a única solução: há felicidade também na solteirice. Pense no seu crescimento pessoal e em turbinar o amor-próprio. Cuide mais de você. Envolva-se em atividades que tragam bem-estar, como um esporte ou dança. Vale desabafar com amigos, até fazer trabalho social para entrar em contato com outras realidades.

3. O trabalho perfeito existe e todo mundo deve encontrá-lo

Para começar, a perfeição não existe. Além disso, ao menos em um ponto, casamento e trabalho se parecem: em ambos, há momentos em que ficamos entediadas e tendemos a querer fugir. Você pode até tentar trocar de emprego, mas saiba já que o processo deve se repetir em outros lugares. O único jeito de escapar do ciclo de insatisfação é rever os conceitos que guiam a construção da sua carreira. Pense em qual é o emprego dos seus sonhos. "Às vezes, o cargo que nos serve de referência nem existe", alerta. Seja realista ao avaliar suas conquistas. E lembre-se do que traz satisfação na sua atual posição (horários flexíveis, benefícios, pessoas legais), refletindo se quer perder isso. Uma tática: "Finja que é seu último mês na empresa. Você vai dar mais valor ao trabalho e fazer as mudanças que vinha postergando".

4. Se eu ficar rica, meus problemas acabarão

Dinheiro traz felicidade, sim. Ter uma conta bancária polpuda, afinal, aumenta a qualidade de vida e permite alguns luxos. Segundo Sonja, é importante garantir que o salário cubra as necessidades da família, incluindo diversão. Se sua renda não abrange isso, pense em como ampliar seus ganhos. Já se sabe, porém, que, se o dinheiro ultrapassa muito o valor de que se precisa, a felicidade não crescerá em igual medida. Pode até ter efeito contrário. "Certamente, você terá de trabalhar horas a mais e sacrificar o tempo com o marido, os filhos e amigos para faturar mais", diz. Faça reflexões periódicas sobre o que é prioridade - isso muda ao longo da vida. E nunca deposite todas as fichas da felicidade no próximo aumento.

5. A maternidade é só alegria

É claro que a realização do desejo de ter filhos proporciona uma felicidade indescritível. Além disso, uma criança traz novas experiências e crescimento pessoal. Mas Sonja ressalta que ninguém pode esperar só alegria. A maternidade também implica desafios, rotina, conflitos e preocupações, como a escolha da babá ou o controle da lição de casa. Segundo a expert, por mais que se tenha amor pelos filhos e pelo papel de mãe, é normal ficar cansada e até irritada. Não se sinta culpada. "Converse com outras mães para entender melhor o que você está passando e para trocar dicas", sugere. Principalmente, encare esses momentos como pedaços menores de uma grande missão, que é criar e educar uma pessoa feliz, saudável e realizada.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Os benefícios do otimismo

Todo mundo tem dias em que acorda de baixo-astral, achando que alguma coisa vai dar errado, e outros em que parece que nada vai impedir a nossa felicidade. É humano, normal e bem comum nessa época de recomeço: juntamente com as expectativas e o frescor de um novo ano, vem o medo de não dar conta de realizar o que a gente quer, de não dar tempo, não dar certo...

Qual o segredo para driblar a insegurança e não desanimar no meio do caminho? Pensar positivo e ir em frente. Mas calma lá: não se trata de cruzar os dedos e repetir como um mantra que tudo vai acabar bem. É preciso agir. "Em vez de apostar no otimismo como uma solução mágica, você deve transformar o pensamento em motivação para realizar seu desejo. Arrumar um namorado, emagrecer ou fazer a viagem dos seus sonhos", por exemplo, fala a psicóloga Angelita Corrêa Scárdua, de Vitória.

Fé no futuro

Sejamos realistas: problemas sempre vão existir. A maneira como você os enfrenta é que faz toda a diferença. "Enquanto o pessimista acredita que é a pessoa mais azarada do mundo e que tragédias só acontecem com ele, o otimista vê o conflito como parte da vida e procura nele uma oportunidade para crescer", explica a especialista em comportamento humano Roselake Leiros, da CrerSerMais, em São Paulo.

Ok, há situações que parece impossível encarar de um jeito positivo. Como ser demitida, por exemplo. No entanto, em vez de se isolar com vergonha da situação ou medo de gastar as economias, uma atitude otimista seria aproveitar o tempo livre para estudar e se preparar para uma próxima oportunidade de trabalho.

Otimismo no DNA?

Por que algumas pessoas encaram a vida com leveza enquanto, para outras, é duro não pensar que, em algum momento, algo vai desandar? A genética tem parte da resposta.

Um estudo de 2009 realizado pela psicóloga britânica Elaine Fox, da Universidade de Essex, revelou que pessoas que carregam um determinado gene associado ao transporte de serotonina no cérebro têm mais predisposição a focar nos aspectos positivos da vida, já que o neurotransmissor é responsável por regular o humor e a sensação de prazer.

De acordo com o levantamento, quem não conta com o tal gene do otimismo apresenta maior potencial para sofrer de depressão. Mas isso não é desculpa para cruzar os braços e esperar que o universo faça sua parte. Mesmo com o aval da ciência, os especialistas concordam que a genética pesa pouco na formação da personalidade otimista. O que conta mesmo é o compromisso de cada um com a felicidade.


Melhor do que remédio
Não bastasse o lucro emocional de escolher ver a vida pelo lado bom, a ciência já provou que, com isso, você também sai ganhando em saúde e longevidade. A conclusão é da pesquisadora Hilary Tindle, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos. Na pesquisa conduzida com mulheres em 2009, ela descobriu que as mais otimistas e felizes tinham menos risco de desenvolver doenças do coração, pressão alta e diabetes. O porquê: "Pessoas mais positivas lidam melhor com o stress, tendem a se cuidar mais e responder melhor a tratamentos médicos", explica Hilary no estudo. "Elas se exercitam com mais frequência, fumam menos e têm um estilo de vida que reflete na saúde."

Você também fica mais bonita quando está de bem com a vida. É que, mantendo distância do stress e da tristeza, você evita as alterações hormonais e a geração de radicais livres que aceleram o envelhecimento e resultam no aparecimento de rugas, manchas, oleosidade e perda de elasticidade cutânea. Fora as doenças manifestadas na pele e associadas às emoções, como psoríase e alergias.

Causa (não efeito) do sucesso

Suas chances de ir mais longe na carreira, assim como nos anos de vida, é outra consequência do pensamento positivo. "A disposição para experimentar coisas novas e solucionar problemas e a autoconfiança são características típicas da pessoa otimista e bastante valorizadas no ambiente profissional", fala Angelita. "E, como ela tende a ser mais sociável e produtiva, também tem maischances de ser bem-sucedida no trabalho."

Quando o otimismo é demais

Pensamento positivo não faz mal a ninguém, certo? Quase sempre a regra é essa, mas, quando ele é exagerado e não vem acompanhado de ação (e uma dose de pé no chão), pode se tornar um problema. Como no caso daquela amiga que insiste em dizer que as brigas no casamento, que duram anos, são apenas uma fase. Ou a outra, que vive endividada, mas não deixa de gastar fortunas em sapatos, como se não houvesse nada errado.

"O otimismo excessivo é uma estratégia de defesa de quem, no fundo, não quer enfrentar o problema real", fala Angelita Scárdua. "Alimentando a ilusão de que a crise não existe, você adia a solução do problema e só faz o conflito crescer."

Exercite seu poder positivo
1. Tome posse de suas conquistas.
Recebeu um elogio do chefe? Não pense que ele só está de bom humor ou tem segundas intenções. Aquele gato a convidou para sair? Não ache que ele não tem companhia melhor, mas que está, sim, a fim de ver você. Você merece tudo de bom.

2. Acumule alegrias.
Assista uma comédia romântica, veja um programa bobo na tevê, escute uma música dançante, fale besteira com as amigas. Abrir espaço para o divertido da vida ajuda a levar as coisas menos a sério e afastar atitudes negativas.

3. Troque ideias.
Dividir seus pontos de vista e escutar opiniões diferentes sobre um mesmo tema são maneiras de se conhecer melhor, valorizar-se e ver a vida sob outra perspectiva.

4. Evite palavras negativas.
Cuidado com frases do tipo: "Não tenho mesmo sorte com os rapazes", "Era muito bom para ser verdade" ou "Eu não mereço tudo isso". Por mais que sejam da boca para fora, elas acabam convencendo seu cérebro e, aos poucos, destruindo a sua autoconfiança.