quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

História da AIDS

1982 Cinco anos após os primeiros casos, cientistas definem o que é a aids. No mesmo ano, a primeira ocorrência no Brasil é identificada, em São Paulo. Os jornais da época chamavam a doença de peste gay.
1985
Após disputas entre franceses e americanos pela autoria da descoberta do agente por trás da doença, ele é batizado de HIV - em português, vírus da imunodeficiência humana. O primeiro teste para diagnosticá-lo é desenvolvido.
1986
O Ministério da Saúde cria o Programa Nacional de DST-Aids.
1987
Enquanto no Rio de Janeiro cientistas da Fundação Oswaldo Cruz isolam pela primeira vez o vírus no Brasil, nos Estados Unidos, o AZT - pioneira entre as drogas utilizadas no combate à doença - começa a ser prescrito. Ainda nesse ano, o primeiro dia de dezembro é estabelecido como o Dia Mundial de Luta contra a Aids.
1991
O governo brasileiro passa a fornecer os antirretrovirais de graça. E a fita vermelha que ilustra esta reportagem torna-se o símbolo da batalha mundial travada com o mal.
1992
Em São Paulo, uma menina de 5 anos é impedida de se matricular em uma escola pública por ser portadora do vírus. O Ministério da Educação condena o ato e institui medidas para combater a discriminação.
1993
A aids passa a ser avaliada também pela contagem de linfócitos CD4+ no sangue. Se essas células de defesa estão abaixo do nível esperado, é preciso iniciar o tratamento mesmo sem sintomas.
1994
O Ministério da Saúde passa a distribuir gratuitamente preservativos em postos de saúde e em ações pontuais. Os programas de prevenção no país ganham impulso após parceria do governo com o Banco Mundial.
1995
Os avanços no diagnóstico e no controle estão a todo vapor. Entretanto, aumenta o número de portadoras mulheres e de recém-nascidos soropositivos.
1996
O coquetel - combinação de diferentes drogas para inibir o vírus - começa a ser aplicado em larga escala. O governo brasileiro regula o acesso a esses remédios e registra o aumento dos casos no interior do país e entre as classes sociais menos favorecidas.
2000
Um ano depois da boa-nova de que o número de mortes em decorrência da aids havia caído pela metade, uma notícia triste: a incidência entre as mulheres, que antes era de uma infectada para 25 homens, passa a ser de uma para cada dois homens.
2003
O Brasil recebe um prêmio de 1 milhão de dólares de uma fundação americana por suas ações de combate ao HIV. O número de soropositivos em tratamento chega a 150 mil no país.
2011
Em seu último boletim epidemiológico, o Ministério da Saúde chama a atenção para o aumento da incidência do mal entre jovens com idade entre 15 e 24 anos. Desde 1980, o número de casos passa dos 600 mil
 

domingo, 2 de dezembro de 2012

Informar para prevenir



Uma dieta equilibrada é arma essencial nessa luta, lembra Luiz Paulo Kowalski, cirurgião oncológico do Hospital A.C. Camargo, na capital paulista. "O consumo de frutas e verduras protege contra o câncer", diz o médico. "Por outro lado, pessoas que comem churrasco ou carne grelhada mais de quatro vezes por semana têm maior risco de desenvolver a doença." A justificativa está na fumaça, cujos agentes cancerígenos ficam impregnados na carne. Não é o caso de limar da agenda o famoso churrasquinho com os amigos — o segredo está no equilíbrio. Outro fator que conta, e muito, para fechar as portas aos agressores é não se descuidar da higiene. Escova e fio dental, já se sabe, precisam entrar em ação pelo menos três vezes ao dia. "Mas é preciso evitar o uso indiscriminado de enxaguatórios bucais com álcool na fórmula. Eles podem disparar o problema", alerta Kowalski.

O exame clínico ainda é a melhor forma de flagrar alterações que podem ser sinal de perigo, mas pesquisadores buscam na tecnologia um apoio para a tarefa. Na Universidade de São Paulo, por exemplo, está em teste há um ano um aparelho chamado Velscope (Visually Enhanced Lesion Scope). "Ele é um coadjuvante no diagnóstico", apressa-se a dizer Celso Augusto Lemos Júnior, que supervisiona o trabalho e é presidente da Sociedade Brasileira de Estomatologia. "Os feixes luminosos emitidos pelo equipamento ajudam na avaliação e são eficientes na demarcação da área onde a biópsia deve ser feita."

O mais importante da pesquisa, na opinião de Celso Lemos, é jogar luz sobre o assunto para reforçar a prevenção: apagar o cigarro de vez, diminuir o consumo de álcool e usar protetor labial, evitando os estragos da ação do sol. Já para vencer um dos protagonistas dessa história, o HPV, não tem acordo: sexo oral, só com camisinha. Até porque a vacina contra esse vírus, recomendada há algum tempo para garotas a partir de 9 anos, só recentemente foi aprovada também para meninos. Ou seja, serão necessários anos até que os primeiros resultados apareçam. E não é nada esperto se expor ao inimigo quando se sabe a estratégia para fazê-lo recuar.



sábado, 1 de dezembro de 2012

Dê um cala-boca no câncer oral



Estatísticas mundiais mostram que a incidência de câncer na boca tem crescido no planeta, principalmente entre adultos jovens. O grande responsável pelo aumento entre essa turma é o vírus HPV. A explicação, segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Inca, teria a ver com os hábitos sexuais. Os outros dois vilões são o álcool e o cigarro — quando essa dupla maligna atua em conjunto, o risco de o problema dar as caras é 30 vezes maior. A boa notícia é que o diagnóstico precoce da doença eleva as chances de cura. Para isso, devem entrar em cena dentistas e médicos.

Esse foi um dos objetivos de um projeto realizado no Ceará e finalista na categoria Políticas Públicas do Prêmio SAÚDE 2011. "Criamos o programa porque estávamos cansados de receber pacientes com a doença avançada a ponto de não ser possível operar", explica Fabricio Bitu, professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Ceará e coordenador da força-tarefa idealizada para conter o avanço da doença no estado. "Esses tumores são comuns em pessoas de baixa instrução e renda, com dificuldade de acesso aos serviços de saúde", continua o dentista.

A solução foi criar uma rede de diagnóstico e rastreamento que, desde 2006, reúne especialistas também da Universidade de Fortaleza, da Secretaria Estadual de Saúde, do Conselho Regional de Odontologia e da Santa Casa de Misericórdia de Fortaleza — e já atendeu mais de 20 mil pessoas.

A equipe é formada por dentistas de especialidades como patologia, cirurgia, epidemiologia, além de cirurgiões médicos e estudantes. Os profissionais identificam as áreas cearenses mais impactadas pela doença, levam aos moradores dessas regiões informações sobre os fatores que provocam o mal, ensinam medidas de prevenção e realizam exames detalhados. Quando necessário, os pacientes são encaminhados para as grandes cidades, em especial Fortaleza.